"Deus nos criou para viver uma única paixão: para mostrar com alegria a Sua suprema excelência em todas as esferas da vida. A vida desperdiçada é uma vida sem essa paixão. Deus nos chama para orar, e pensar, e sonhar, e planejar, e trabalhar, não para nos exaltarmos, mas para exaltá-Lo em cada parte de nossas vidas." (John Piper)
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Francis Schaeffer - O homem de cabelos longos
Mas Deus estava graciosamente dispondo avisos convincentes ao longo do caminho. No outono de 1965, Francis Schaeffer apresentou uma semana de palestras no Wheaton College, palestras que em 1968 se tornariam o livro "O Deus Que Está Aí"*. O título mostra a esplêndida simplicidade da tese. Deus está aí. Não aqui, definido e formatado pelos meus próprios desejos. Deus está por aí. Objetivo. Realidade absoluta. Tudo aquilo que para nós se assemelha a realidade é dependente de Deus. Existe criação e Criador, nada mais. E a criação recebe todo o seu significado e propósito de Deus.
Aqui estava uma placa absolutamente convincente no meu caminho. Permaneça na estrada da verdade objetiva. Esse será o caminho para que você evite desperdiçar a sua vida. Permaneça na estrada que o seu pai e ardente evangelista está. Não abandone a placa da parede da sua cozinha. Aqui estava a confirmação intelectual de peso de que a vida seria desperdiçada nos gramados do existencialismo. Mantenha-se no caminho. Existe Verdade. Existe um Ponto, e Propósito, e Essência em tudo isso. Continue buscando. Você vai achá-la.
Eu suponho que não há por que lamentar que a pessoa passe seus anos de faculdade aprendendo o óbvio - que existe Verdade, que existe ser objetivo e valor objetivo. Como um peixe indo para a escola para aprender que existe água; ou um pássaro, que existe ar; ou uma minhoca, que existe barro. Mas parece que, nos últimos duzentos anos, mais ou menos, esse tem sido o ponto principal da boa educação. E o seu oposto é a essência da má educação. Portanto, eu não reclamo dos anos que passei aprendendo o óbvio.
* "The God Who Is There"
"The answer is blowing in the wind"
Bob Dylan estava rascunhando músicas com mensagens oblíquas de esperança que explodiram nesse cenário, precisamente porque elas sugeriam uma Realidade que não nos deixaria esperando para sempre. As coisas iriam mudar. Cedo ou tarde, o lento seria veloz e o primeiro seria o último. E não seria porque éramos mestres existenciais do nosso destino absurdo. Ela viria até nós. É isso o que nós todos sentíamos na canção "The Times They Are A-Chaging'".
A linha está desenhada,
A maldição está lançada,
O lento, agora,
Será, mais tarde, veloz.
Como o presente, agora,
Será, mais tarde, passado,
A ordem está
Rapidamente se esvaindo.
E o primeiro, agora,
Será, mais tarde, o último,
Porque os tempos estão mudando.
Deve ter exasperado os existencialistas ouvir Dylan, talvez mesmo sem saber, varrer o relativismo do "vale-tudo" com a audaciosa dupla "A resposta... A resposta" no hit esmagador "Blowin' in the Wind".
Quantas vezes um homem deve olhar para cima
Até que ele possa ver o céu?
Sim, e quantos ouvidos um homem deve ter
Até que ele possa ouvir as pessoas chorarem?
Sim, e quantas mortes serão necessárias
Para que ele saiba que gente demais já morreu?
A resposta, meu amigo, está sendo soprada no vento,
A resposta está sendo soprada no vento.
Quantas vezes alguém pode olhar para cima e não ver o céu? Existe um céu lá em cima para ser visto. Você pode olhar dez mil vezes e dizer que você não o vê. Mas isso não tem absolutamente nenhum efeito em sua existência objetiva. Ele está lá. E um dia você vai vê-lo. Quantas vezes você deve olhar para cima até que você o veja? Existe uma resposta. A resposta, A resposta, meu amigo, não é sua, para que você a invente ou a crie. Ela será decidida para você. Ela é exterior a você. Ela é real, e objetiva, e firme. Um dia você vai ouvi-la. Você não a cria. Você não a define. Ela vem até você e, cedo ou tarde, você se conforma a ela - ou se curva diante dela.
Isso é o que eu escutava na canção de Dylan e tudo em mim dizia: Sim! Existe uma Resposta com R maiúsculo. Perdê-la seria um desperdício de vida. Achá-la seria ter uma Resposta unificadora a todas as minhas perguntas.
O pequeno caminho marrom sobre a colina verde na placa da nossa cozinha traçava seu sinuoso curso - através dos anos 60 - entre as doces armadilhas da insensatez intelectual. Oh, como a minha geração parecia corajosa quando eles pisavam fora do caminho e colocavam os seus pés na armadilha! Alguns podiam até mesmo juntar coragem para se gloriar, "Eu escolhi o caminho da liberdade. Eu criei minha própria existência. Eu me livrei das velhas leis. Veja como a minha perna está machucada!"
"The Nowhere Man"
Os Beatles lançaram seu disco Rubber Soul em Dezembro de 1965 e cantaram seu existencialismo com convincente poder para a minha geração. Talvez ele estivesse o mais claro possível em "Nowhere Man", de John Lennon.
Ele é um autêntico homem de lugar nenhum
Sentado em sua terra de lugar nenhum
Fazendo todos os seus planos de lugar nenhum
Para ninguém
Não tem um ponto de vista
Não sabe para onde está indo
Ele não é um pouco parecido com você e eu?
Esses eram dias inebriantes, especialmente para estudantes universitários. E, ainda bem, Deus não estava em silêncio. Nem todo mundo abria caminho para a enganação do absurdo e à tentação do vazio heroico. Nem todos cederam aos chamados de Albert Camus e Jean-Paul Sartre. Mesmo vozes sem raízes na Verdade sabiam que deveria haver algo mais - algo exterior a nós mesmos, algo maior, e melhor, e mais digno de viver por, do que aquilo que víamos no espelho.
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